👀 Entrevista: “brancos têm o privilégio da mediocridade, coisa que as pessoas negras não têm”, conta Gabriel Sukita
Diversidade traz mais criatividade, maior possibilidade de adaptação ao mercado, menos vulnerabilidade a mudanças e, lógico, benefício social.
Com certeza você já cruzou com o trabalho ou com algum tuíte divertido do Gabriel Sukita por aí. Ele foi líder na produção de branded content do BuzzFeed Brasil, ou seja, era o responsável pelo time de criação. Sabe aqueles testes que a gente sempre faz? Então. Além do BuzzFeed, ele passou por agências como Garage, LOV, ano passado trabalhou no Intercept Brasil, onde foi diretor de audiência e hoje é líder criativo na agência Soko.
No mercado da publicidade, diz que seu trabalho é entender o comportamento do brasileiro no ambiente digital criando insights para gerar impacto social. “O meu objetivo é conseguir mudar estruturas. Repensando espaços, mudando processos e incluindo novas prioridades para que mais e mais profissionais representantes de minorias possam viver suas vidas com um pouco menos de preocupações e mais perspectivas positivas sobre o futuro, que muitas vezes é tirado da gente”, explica.
Por onde passa ele procura contribuir com a diversidade da empresa, tema sobre o qual também presta consultoria: “mais diversidade traz mais criatividade, maior possibilidade de adaptação ao mercado, menos vulnerabilidade a mudanças e, lógico, um benefício social super importante e necessário”. Uma curiosidade é que ele é formado em design industrial e migrou de área. Ele contou para Firma como foi esse caminho até se tornar referência no mercado brasileiro de criação de conteúdo e publicidade. Confira: 👇🏿
Como você foi essa mudança do design industrial para a publicidade?
📌 Foi mais natural do que parece. Isso porque quando falamos de alguém que trabalha com Design, a gente está falando de uma área que aplica conceitos lógicos e linhas de raciocínio replicáveis a várias áreas do conhecimento humano. No meu caso, eu sempre tive uma afinidade muito grande com design gráfico o que facilmente me levou a atuar como diretor de arte na publicidade. Claro que houve dificuldades – e ainda há – pois eu não tinha conhecimento de conceitos básicos da área, mas a adaptação foi tranquila. Depois disso mudei de área três vezes usando a mesma linha de raciocínio que aprendi lá atrás na minha formação como designer.
A publicidade tem um mercado branco e elitizado. Como essa realidade impacta a sua carreira e quais os efeitos dessa falta de diversidade?
📌 Enquanto pessoa negra consigo observar o quanto o racismo afeta não só a minha área, mas também a de todos os profissionais, independente da carreira. Isso sem falar de todas as relações sociais extra mercado de trabalho. Obviamente que assim como no resto da sociedade, vemos o jeito que o racismo nos afeta, como os profissionais negros são percebidos e tratados, mas algumas coisas me chamam mais a atenção.
Primeiro, o fato das pessoas brancas terem mais chances de subir na carreira por terem um capital social mais consolidado e herdado não só de suas famílias, mas das oportunidades que tiveram ao longo da vida e por viver em um sistema que os beneficie, óbvio. E nessa de ter uma rede de proteção forte por conta do seu networking, muitas vezes algumas pessoas brancas nem precisam se esforçar para “vencer na vida”, já que conhecem alguém, que conhece alguém, que conhecem um jeito de fazê-las se dar bem, sem precisar gastar energia. É o privilégio da mediocridade, coisa que as pessoas negras não têm.
Outra coisa que me chama a atenção é o quanto a negritude é instrumentalizada pelo capital, principalmente na publicidade. Existem várias empresas que não se importam de fato com a pauta, mas se posicionam como bastiões do progressismo porque isso vende, porque isso é interessante para o mercado. E na ânsia de vender essa imagem “prafrentex” tratam essas pautas como questão de relações públicas e apenas isso. O resultado é que muitos profissionais são contratados e considerados apenas quando existe algo relacionado a uma construção de imagem para o mercado e não por suas características profissionais. E muitas vezes, após serem contratados, eles adoecem, pois o ambiente não está preparado para lidar com questões de raça, banalizando a nossa vivência e nos excluindo do mercado.
São poucas as empresas que conheço que de fato se preocupam com questões de diversidade – de gênero, raça, orientação sexual, regional e etc –, mas as que se preocupam já perceberam a diferença nos resultados. E não estou falando só no lucro – que vem com as novas abordagens resultantes de ter um quadro diverso de profissionais–, mas sim de como o ambiente se torna mais rico, maleável e propício à diminuição de miopia social e mercadológica. Em outras palavras, mais diversidade traz mais criatividade, maior possibilidade de adaptação ao mercado, menos vulnerabilidade a mudanças e, lógico, um benefício social super importante e necessário.
Seu nome é uma referência no mercado de criação de conteúdo e publicidade. Como você acredita que isso contribui para outros profissionais negros, principalmente, aqueles que chegam hoje ao mercado?
📌 Primeiro, agradeço o elogio 😂 😂 😂 😂 😂. Bom, acho que mais do que tentar inspirar outros profissionais, o meu objetivo é conseguir mudar estruturas. Repensando espaços, mudando processos e incluindo novas prioridades para que mais e mais profissionais representantes de minorias possam viver suas vidas com um pouco menos de preocupações e mais perspectivas positivas sobre o futuro, que muitas vezes é tirado da gente. Se enquanto profissional, eu não tenho a possibilidade de melhorar minimamente esse quadro, onde quer que eu esteja trabalhando, a minha posição nunca vai fazer sentido. Só me realizo e cresço quando outras pessoas conseguem fazer o mesmo.
Vagas desta edição
Humanitário. A organização internacional Médico Sem Fronteiras está com duas vagas disponíveis exclusivas para profissionais negros. Uma delas é para assistente em Finanças/Contábil e a outra oportunidade é para estágio em Finanças.
Visual. O Instituto de Desenvolvimento e Gestão, no Rio, tem uma vaga para designer – exclusiva para pessoas negras ou trans. Entre as atividades: planejamento e criação de identidade visual e peças gráficas; Consultoria e suporte em produção das equipes do IDG e demais projetos.
Consultoria. O Sebrae, em São Paulo, está com edital aberto para contratação de profissional para atuar como consultor de marketing. Os interessados podem fazer as inscrições até 09/05/2021. A seleção acontece em 4 fases e o salário é de R$ 10,4 mil.
<Dev/> A Wibx tem 20 vagas abertas nas mais diferentes áreas, como Suporte, DEV e Marketing. Os salários variam de R$ 1,3 mil a R$ 6 mil. Os interessados podem enviar e-mail para trabalhenawibx@wibx.io com a vaga pretendida no “Assunto”.
$$$$. A Acesso, fintech no setor bancário, está com diversas vagas como: auditor, analista de tesouraria sênior, engenheiro de sistemas sênior, pessoa engenheira de software backend. Os salários variam conforme a área e o cargo, mas o valor médio é de R$ 10 mil.
Nuvem. A Amazon Web Services (AWS) tem duas oportunidades abertas para profissionais do Ceará. Uma das vagas é para Cloud Delivery Architect for Enterprise Transformation. Já a segunda é para Telco Principal Solutions Architect.
TI. O Grupo Porter, em Florianópolis, tem vagas abertas para diversas áreas como: Pessoa Desenvolvedora Backend C# Pleno/Sênior; Pessoa Desenvolvedora Fullstack C#/React - Júnior; Pessoa Desenvolvedora React Native - Sênior; Analista de Inbound Marketing; Analista de Contas a Pagar SRE - Júnior e Banco de Talentos.
TI 2. Em processo de expansão, a VTEX, empresa de tecnologia para o comércio eletrônico, tem 68 vagas abertas em cidades como Rio, São Paulo, Curitiba e Campina Grande.
Inteligência. O Sesc Minas tem uma vaga para analista de Planejamento e Inteligência de Mercado Jr. Para a função pede-se ensino superior em administração, engenharia de produção, economia ou áreas afins. Domínio de Excel e conhecimento em Power bi.
Natureza. Em Salvador, a Solos, que atua na área de resíduos e reciclagem, tem duas vagas abertas. Uma delas é para assistente de conexões e assistente de projetos. As duas oportunidades recebem inscrições até 09/05/2021.
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💻 Com curadoria, redação e edição de Emílio Moreno e Juliana Gonçalves. Direção de arte, Larissa Cargnin e colaboração de Louise Ferreira.
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